quarta-feira, 21 de abril de 2010

O CANTO DA CORUJA

Augusto dos Anjos

A coruja cantara-lhe na porta

Sinistramente a noite inteira! Indício

Mais certo não havia! - Era o suplício!...

Daí a pouco, ela seria morta.

Saiu. O Sol ardia. A estrada torta

Lembrava a antiga ponte de Sublício...

Havia pelo chão um desperdício

De folhas que a áurea xantofila corta.

Nisto, ouve o canto aziago da coruja!

- Quer fugir, e não vê por onde fuja.

Implora a Deus como a um fetiche vago...

- Se ao menos voasse! - E o horror começa! Rasga

As vestes; uma convulsão a engasga

E morre ouvindo o mesmo canto aziago!

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