Ouvir Caymmi é nostalgia na certa! Traz lembranças da minha infância. Me lembro quando meu pai ouvia - e ainda ouve- Dori[val], e tantos outros cantos, na total escuridão, de luzes apagadas, só apreciando cada notinha musical e mais nada. Acho que foi dai, da inspiração do meu pai e da ajudinha dos cantores, que comecei o meu vício por música. Aprendi com ele a sentir a música, ver tudo o que tem por trás do que meus ouvidos captam e analisar cada som extraido dessa arte.
[
Foi com meu pai que aprendi a gostar de tanta gente que gosto hoje. Aprendi a dar valor à minha terra muito por conta das músicas ouvidas aqui em casa.
"Você já foi à Bahia, nêga?
Não?
Então vá!
Quem vai ao "Bonfim", minha nêga,
Nunca mais quer voltar.
Muita sorte teve,
Muita sorte tem,
Muita sorte terá
Você já foi à Bahia, nêga?
Não?
Então vá!
(...)
Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas,
Do tempo do Imperador.
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito,
Que nenhuma terra tem!"
[[
Depois foi por meio da literatura - vide Jorge Amado- que alimentei mais ainda meu vício pela terra e também pela músicas. Fico imaginando o quanto não deveria ser interessante as conversas de domingo la em Itapuã, no Abaeté à beira da lagoa ou nas ruas boêmias do Rio Vermelho, as conversar dos meus velinhos mais queridos da Bahia [Dorival e Jorge] e, para completar o trio, o argentino mais baiano que existe : Carybé. Com certeza assunto era o que não faltava ali. Assunto e muita música.
[
Ai, nostalgia!

[
ps: Vou mostrar esse texto pro meu pai e ele vai ficar todo feliz.